Ex.mo Sr. Adelino Gomes,
Provedor do Ouvinte da RDP,
Não consegui ler na íntegra os guiões dos episódios 31 a 34 da II série do programa Provedor do Ouvinte: fui impedido pela revolta, por ver que o vosso sub-director de Informação se limita a defender o /status quo/, recusando-se a repensar os objectivos da rádio pública e a sua razão de existir -- como os políticos que insistem em afundar o país com privatizações obscenas e obras faraónicas, sem nunca pensarem nas reais consequências das medidas que propõem. É revoltante ver tanto autismo (ou tanta maldade) na política e na comunicação social portuguesa. Mas dominando a revolta, ainda consegui ler algumas frases às quais não posso deixar de responder.
Disse Paulo Sérgio que "não podemos meter a cabeça na areia e dizer que o serviço público é um serviço sem público. E portanto, precisamos obrigatoriamente de ter público". E eu pergunto: obter público com futebol, para quê? Mas afinal o que interessa é ter público a todo o custo? Então por que razão o Canal 2 não transmite pornografia? Certamente iria cativar muito público! Não transmite porque o que deve interessar a um canal público é cativar audiências *para aqueles programas que contribuem para a formação de uma opinião pública mais esclarecida, uma sociedade mais participativa e um país mais próspero*. Uma rádio pública que pretende cativar audiências com mais futebol, é como uma escola que tentasse combater o abandono escolar substituindo as aulas pelos jogos: seguramente a escola cativaria mais "clientes", mas... deixaria de ser uma escola, pois deixaria de cumprir os seus objectivos.
O desafio na escola é tornar as aulas aliciantes. Do mesmo modo, o desafio da rádio pública deve ser cativar ouvintes *para os programas que podem contribuir para uma sociedade mais informada, mais próspera, mais saudável e mais justa*. É um objectivo difícil de alcançar? Admito que sim! Mas não menos difícil é o desafio que se coloca à escola de hoje -- arrancar as crianças à droga dos telemóveis e videojogos e trazê-las de volta ao estudo -- e apesar disso os professores continuam a tentar, no limite das suas forças, com espírito de missão, contra todas as adversidades.
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domingo, 28 de março de 2010
sábado, 27 de março de 2010
Mensagem enviada para o Provedor do Ouvinte da Antena 1
Exmo. Sr. Provedor do Ouvinte,
Sou um cidadão preocupado com o progresso e bem-estar da comunidade global. Interesso-me por temas sociais, políticos, ambientais, económicos, civilizacionais, culturais, etc.. Por isso, quando ligo a rádio, é sempre na expectativa de ouvir notícias, debates, programas de divulgação temática (sobre economia, saúde, ambiente, política), etc.. O tempo é o nosso bem mais escasso, e com tantas questões importantes por resolver no nosso mundo, considero um desperdício ouvir música comercial ("pop") pela rádio, e um desperdício ainda maior ouvir relatos de futebol.
Durante a semana, geralmente consigo encontrar, entre as 4 rádios de referência nacionais (A1, RCP, RR e TSF), alguma que esteja a transmitir programação relevante em cada momento. Porém, durante os jogos da 1.ª liga de futebol, *todas* estas rádios transmitem o relato do jogo *em simultâneo*. Esta situação recorrente (que ainda hoje testemunhei) não pode deixar de causar-me perplexidade, desânimo, e vergonha do país em que vivo -- este país em que se permite a uma estação pública esbanjar desta forma o dinheiro que é de todos.
Os serviços públicos existem para suprir as necessidades dos cidadãos, e entre estas, as que não são devidamente supridas pelos agentes privados em condições de igualdade de acesso. Ora os relatos futebolísticos não cumprem nenhum destes critérios: 1) não constituem uma necessidade dos cidadãos, e 2) existem agentes privados que os proporcionam *gratuitamente*. Assim, não se compreende que a Antena 1 continue a transmitir relatos dos jogos da 1.ª liga, quando existem pelo menos 3 outras rádios nacionais (com boa cobertura do território, pelo menos a RR) a prestar esse serviço.
Estamos em tempo de crise e de profundas transformações globais. Existem numerosas questões a pedir que reflictamos sobre elas e que as debatamos: questões económicas, ambientais, de política internacional, de direitos humanos, questões religiosas e éticas, o desinteresse dos jovens pelo ensino, etc., etc. Agradeço, pois, que a estação pública -- para cujo financiamento também contribuo -- se preocupe mais com estas questões e deixe o futebol para as rádios privadas. Obrigado.
Sou um cidadão preocupado com o progresso e bem-estar da comunidade global. Interesso-me por temas sociais, políticos, ambientais, económicos, civilizacionais, culturais, etc.. Por isso, quando ligo a rádio, é sempre na expectativa de ouvir notícias, debates, programas de divulgação temática (sobre economia, saúde, ambiente, política), etc.. O tempo é o nosso bem mais escasso, e com tantas questões importantes por resolver no nosso mundo, considero um desperdício ouvir música comercial ("pop") pela rádio, e um desperdício ainda maior ouvir relatos de futebol.
Durante a semana, geralmente consigo encontrar, entre as 4 rádios de referência nacionais (A1, RCP, RR e TSF), alguma que esteja a transmitir programação relevante em cada momento. Porém, durante os jogos da 1.ª liga de futebol, *todas* estas rádios transmitem o relato do jogo *em simultâneo*. Esta situação recorrente (que ainda hoje testemunhei) não pode deixar de causar-me perplexidade, desânimo, e vergonha do país em que vivo -- este país em que se permite a uma estação pública esbanjar desta forma o dinheiro que é de todos.
Os serviços públicos existem para suprir as necessidades dos cidadãos, e entre estas, as que não são devidamente supridas pelos agentes privados em condições de igualdade de acesso. Ora os relatos futebolísticos não cumprem nenhum destes critérios: 1) não constituem uma necessidade dos cidadãos, e 2) existem agentes privados que os proporcionam *gratuitamente*. Assim, não se compreende que a Antena 1 continue a transmitir relatos dos jogos da 1.ª liga, quando existem pelo menos 3 outras rádios nacionais (com boa cobertura do território, pelo menos a RR) a prestar esse serviço.
Estamos em tempo de crise e de profundas transformações globais. Existem numerosas questões a pedir que reflictamos sobre elas e que as debatamos: questões económicas, ambientais, de política internacional, de direitos humanos, questões religiosas e éticas, o desinteresse dos jovens pelo ensino, etc., etc. Agradeço, pois, que a estação pública -- para cujo financiamento também contribuo -- se preocupe mais com estas questões e deixe o futebol para as rádios privadas. Obrigado.
sábado, 19 de setembro de 2009
Mais um voto branco - seremos muitos
É bom saber que não estamos sós. Encontrei agora mesmo, no blog do Público, este comentário:
11.09.2009 15h29 - Anónimo Vila Nova de Gaia
Hoje entrei num autocarro na baixa da cidade do Porto. Havia um tumulto no autocarro porque um senhor já com uma certa idade resolveu dizer a um grupo de jovens que estavam sentados, (gosto especialmente das palavras “de uma certa idade” e “jovem”) que estes se deveriam levantar para dar lugar às pessoas mais velhas. Os jovens não se quiseram levantar porque “quem tem pernas para andar também pode ir em pé” e também “andam cansados de ir para a escola”. Foram rudes (também gosto da palavra rude) com todos os que se insurgiram contra as suas atitudes e dois deles lá se levantaram para dar lugar continuando a falar alto acerca da razão para não se levantarem. Um deles tentava apaziguar os ânimos dizendo para se acalmarem e se calarem ao que um responde “isto é depois do 25 de Abril posso dizer o que quiser ou estamos na época do Salazar?”.
A ignorância assusta-me. Assusta-me a geração que acha que 25 de Abril é sinónimo de má educação e pouco respeito. Assusta-me a geração que não se importa com ensino facilitado para poderem passar e fazer a escolaridade obrigatória. Assusta-me a geração que acha que não tem que se levantar para dar lugar aos mais velhos. Assusta-me a geração do deixa andar, da apatia, dos rebanhos, da velocidade da informação e da velocidade de sentimentos, do “não me interessa”, do vamos lá cambada todos à molhada. Porque um país se vê pela qualidade do seu ensino e pela qualidade da sua saúde, porque o nosso não tem bom ensino nem boa saúde, porque não é só deste governo mas de sucessivos governos e sucessivos maus ministros da saúde e da educação. De más ideias e más práticas. De más alternativas. De olhar para a lista dos candidatos e não conseguir encontrar um com quem nos identificamos porque todos eles já mostraram incompetência quer na actualidade quer no passado ou apenas porque são apáticos com ideias passadas e repassadas ou com ideias nenhumas. E podem chamar o que quiserem, geração rasca, à rasca, dos 1000 euros, dos sms, do polegar. Chamem o que quiserem só não me chamem a mim nada porque com 30 anos, numa tentativa de perspectivar o futuro só vejo branco, branco como o voto que será o meu nas próximas eleições e por essa razão, nada me chamarão com certeza.
11.09.2009 15h29 - Anónimo Vila Nova de Gaia
Hoje entrei num autocarro na baixa da cidade do Porto. Havia um tumulto no autocarro porque um senhor já com uma certa idade resolveu dizer a um grupo de jovens que estavam sentados, (gosto especialmente das palavras “de uma certa idade” e “jovem”) que estes se deveriam levantar para dar lugar às pessoas mais velhas. Os jovens não se quiseram levantar porque “quem tem pernas para andar também pode ir em pé” e também “andam cansados de ir para a escola”. Foram rudes (também gosto da palavra rude) com todos os que se insurgiram contra as suas atitudes e dois deles lá se levantaram para dar lugar continuando a falar alto acerca da razão para não se levantarem. Um deles tentava apaziguar os ânimos dizendo para se acalmarem e se calarem ao que um responde “isto é depois do 25 de Abril posso dizer o que quiser ou estamos na época do Salazar?”.
A ignorância assusta-me. Assusta-me a geração que acha que 25 de Abril é sinónimo de má educação e pouco respeito. Assusta-me a geração que não se importa com ensino facilitado para poderem passar e fazer a escolaridade obrigatória. Assusta-me a geração que acha que não tem que se levantar para dar lugar aos mais velhos. Assusta-me a geração do deixa andar, da apatia, dos rebanhos, da velocidade da informação e da velocidade de sentimentos, do “não me interessa”, do vamos lá cambada todos à molhada. Porque um país se vê pela qualidade do seu ensino e pela qualidade da sua saúde, porque o nosso não tem bom ensino nem boa saúde, porque não é só deste governo mas de sucessivos governos e sucessivos maus ministros da saúde e da educação. De más ideias e más práticas. De más alternativas. De olhar para a lista dos candidatos e não conseguir encontrar um com quem nos identificamos porque todos eles já mostraram incompetência quer na actualidade quer no passado ou apenas porque são apáticos com ideias passadas e repassadas ou com ideias nenhumas. E podem chamar o que quiserem, geração rasca, à rasca, dos 1000 euros, dos sms, do polegar. Chamem o que quiserem só não me chamem a mim nada porque com 30 anos, numa tentativa de perspectivar o futuro só vejo branco, branco como o voto que será o meu nas próximas eleições e por essa razão, nada me chamarão com certeza.
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sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Razões para NÃO VOTAR EM NINGUÉM
* Total ausência de pejo em lançar e aproveitar boatos de parte a parte
* Pouca atenção dada ao debate sério e profundo de ideias, de alternativas, das respectivas dificuldades e das soluções para estas; mais atenção dada a promessas vãs, óbvias mas de viabilidade não demonstrada, e à intriga e politiquice
* Pouca atenção dada ao debate sério e profundo de ideias, de alternativas, das respectivas dificuldades e das soluções para estas; mais atenção dada a promessas vãs, óbvias mas de viabilidade não demonstrada, e à intriga e politiquice
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